A dissolução de sociedades em escritórios de advocacia acontece, em grande parte, por conta de atritos em três áreas sensíveis: divisão de lucros, governança interna e quórum para tomada de decisões estratégicas.
Esses problemas têm uma raiz comum: falta de cláusulas claras no acordo de sócios. Neste artigo, apresentamos como enfrentar essas questões com soluções práticas e personalizadas.
Divisão de Lucros: previsibilidade é a chave
Um dos erros mais comuns é deixar a distribuição de lucros mal definida. Sem regras claras, abre-se espaço para atritos entre perfis diferentes de sócios — como no caso de um escritório no Ceará, onde um sócio mais arrojado queria distribuir lucros rapidamente, enquanto outro, mais conservador, preferia manter reservas estratégicas. A solução veio com uma cláusula que conciliava os interesses: distribuição semestral com percentual fixo do caixa disponível, mantendo reservas mínimas para capital de giro e investimentos.
>> Recomendação prática:
Inclua no contrato a periodicidade da distribuição e os critérios de cálculo (como fluxo de caixa livre ou modelos como “Lockstep Modificado”).
Governança: o sistema nervoso do escritório
Governança é o que garante que todos saibam como decisões são tomadas. Um escritório paulista passou por dificuldades quando decisões passaram a ser tomadas informalmente, sem reuniões oficiais — o que gerou desconfiança.
>> Recomendação prática:
Estabeleça as competências do sócio administrador e do conselho de sócios, crie rotinas obrigatórias de reuniões e considere formar comissões com poder de veto em temas sensíveis.
Quórum: proteção contra decisões precipitadas
Um caso em um escritório do Paraná ilustra bem o risco: um sócio minoritário aproveitou a ausência de outros para aprovar mudanças prejudiciais ao planejamento estratégico, afetando a distribuição de lucros.
>>Recomendação prática:
Evite expressões vagas como “maioria dos presentes”. Prefira números absolutos ou percentuais claros. Decisões importantes devem envolver a maior parte (ou totalidade) do capital social.
Conclusão: clareza contratual é proteção
Um acordo de sócios bem feito atua como uma estrutura firme que permite à sociedade crescer com segurança. Ele deve equilibrar:
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Liberdade para inovar
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Rigor na proteção dos interesses
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Clareza nas regras de convivência
No fim das contas, a diferença entre uma sociedade que apenas sobrevive e outra que prospera está na coragem de antecipar conflitos e estabelecer compromissos sólidos — por escrito.
Invista tempo na redação do acordo de sócios. É isso que permite que cada sócio contribua com o seu melhor, com segurança e confiança no futuro da banca.

