O mercado financeiro tem acompanhado uma nova tendência: empresas que adotam criptoativos como principal ativo de tesouraria. O caso mais recente foi o da Eightco Holdings, companhia de embalagens e logística listada na Nasdaq, que surpreendeu ao anunciar a compra de tokens do polêmico projeto WorldCoin, apoiado por Sam Altman (OpenAI). Em poucos dias, suas ações saltaram de US$ 1,43 para quase US$ 78, antes de se estabilizarem na faixa dos US$ 40.
Essa estratégia, conhecida como Datco (Digital Asset Treasury Company), tem como referência o movimento de Michael Saylor, que transformou a antiga MicroStrategy (atual Strategy) em um veículo de acumulação de Bitcoin. Embora seus acionistas tenham se beneficiado de valorizações históricas, a empresa ainda enfrenta resistência institucional, como mostrou a recente exclusão do índice S&P 500.
No Brasil, a Méliuz também apostou no Bitcoin e viu suas ações (CASH3) subirem mais de 160% em poucos meses. Já o Mercado Libre utiliza o ativo como proteção estratégica contra a desvalorização regional, mas sem abrir mão de seu core business.
Apesar dos casos de sucesso, críticos apontam que muitas empresas usam a narrativa cripto como cortina de fumaça para disfarçar problemas em seus negócios principais. A volatilidade, combinada com alavancagem, pode gerar lucros extraordinários em ciclos de alta, mas também riscos graves de insolvência em momentos adversos.

